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Acordo UE–Mercosul: desafios e oportunidades para as cadeias produtivas brasileiras

by cirino

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul voltou ao centro do debate econômico após avançar para uma nova fase institucional. Embora ainda dependa de ratificações políticas, o tema já mobiliza empresas, entidades setoriais e especialistas que acompanham os possíveis impactos sobre a competitividade da economia brasileira.

Um relatório elaborado pela Veles, com base em dados da plataforma Lurik, apresenta uma análise estrutural das cadeias produtivas potencialmente impactadas pelo acordo no Brasil. O levantamento identificou 298.480 empresas ligadas diretamente aos setores que podem sofrer alterações tarifárias no comércio internacional.

Agronegócio lidera exposição ao acordo

Os dados mostram que o agronegócio concentra a maior parte das empresas potencialmente impactadas, representando 63,9% do total mapeado, enquanto a indústria de transformação responde por 36,1%.

Entre os segmentos econômicos analisados, dois setores concentram praticamente toda a estrutura produtiva identificada:

  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura;
  • Fabricação de produtos de madeira.

Juntos, esses segmentos representam 85,4% das empresas analisadas no estudo.

Segundo o relatório, essa concentração evidencia que o impacto do acordo não deverá ocorrer de forma homogênea na economia, mas sim atingir cadeias produtivas específicas com maior intensidade.

Concentração regional e polos produtivos

O levantamento também destaca forte concentração territorial das empresas nos estados do Sul e Sudeste. São Paulo lidera com ampla vantagem, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

No caso do agronegócio, o estudo aponta que 94,3% das empresas estão concentradas em cinco estados: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Já a indústria apresenta uma distribuição mais pulverizada, embora ainda concentrada nos principais polos industriais do país.

Essa assimetria geográfica demonstra diferentes níveis de preparo estrutural entre os setores, especialmente em relação à logística, tecnologia e capacidade de inserção internacional.

Empresas médias ganham destaque

Outro dado relevante do estudo é o perfil empresarial das cadeias produtivas analisadas. Empresas de médio e grande porte representam 63,9% do total mapeado, com predominância das empresas médias, que somam 60,1% da base analisada.

O relatório interpreta esse cenário como sinal de maturidade operacional e capacidade de adaptação às exigências regulatórias e comerciais do mercado europeu.

Na indústria, porém, há forte presença de microempresas e MEIs, formando uma rede mais capilarizada e descentralizada.

Competitividade e desafios para o Brasil

A análise sugere que o acordo UE–Mercosul pode ampliar oportunidades comerciais para setores já estruturados, especialmente aqueles com maior escala produtiva e integração logística. Por outro lado, também reforça desafios ligados à modernização tecnológica, adequação regulatória e competitividade internacional.

O estudo destaca ainda que o cenário brasileiro revela uma “competitividade dual”: de um lado, o agronegócio concentrado e altamente estruturado; de outro, uma indústria mais pulverizada e dependente da integração entre pequenos negócios e grandes empresas.

Para economistas e entidades representativas, o tema exige acompanhamento permanente, principalmente diante dos possíveis impactos sobre emprego, exportações, política industrial e desenvolvimento regional.


📄 Baixe o relatório completo:
“Acordo UE–Mercosul: Análise Estrutural das Cadeias Produtivas Potencialmente Impactadas no Brasil”.

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